MARCOS CAiADO o samba que a saudade fez |
Domingo, Novembro 29, 2009
hoje encontrei ninguém. ninguém mora aqui perto. veio visitar o meu espelho (aço que fita o encoberto). questionou-me ninguém: - diga-me, poeta ensimesmado, mais alguém por estas bandas vem? e eu repeti de pronto ao assombrado ninguém: - ninguém além do pranto descerá à minha planície: nem diabo, nem santo. foi a vida quem disse. e ninguém se fez cúmplice: - que triste!, marcos caiado, saber que só a mesmice tem as chaves deste sobrado. Comments: Segunda-feira, Novembro 23, 2009
e ao final da viagem descobriremos que a primavera fora apenas uma miragem E que, na luz que reverbera, até mesmo a viagem jamais houvera. Comments: Domingo, Novembro 15, 2009
canção de exílio - para ledusha vontade de você no posto nove papo pro ar lendo o sol e jornal do brasil vontade de chupar chica-bom com beijo papo-de-anjo ao som do gilberto gil um trotoir pela ciclovia da poesia enquanto a tarde (na clandestinidade) nocauteia o dia. vontade do sotaque carioquês: frango xadrez- chinês na praça da paz (andar pela praia até o leblom) vontade de te tocar mais e mar... ....................... e outra vez. o carnaval passou e a vida só cantou o samba que a saudade fez Comments: Quarta-feira, Novembro 04, 2009
em tudo que vejo, te vejo. na muriçoca zuando sobre o azulejo da copa, no lampejo da lua e sua magia ignota. estarás até quando num beijo de novela, na ponta do novelo de lã amarela, ou no cotovelo da bela adormecida? em tudo que olho te colho a esmo (sem rasura e sem saída): na decida da ladeira do pelourinho, na pedra no meio do caminho e até mesmo numa epístola do auto da compadecida. como um quixote que resiste à sorte de ter no moinho somente um moinho, em tudo que miro apuro de ti um pouquinho. Comments: Segunda-feira, Outubro 26, 2009
Comments: Comments: Domingo, Outubro 11, 2009
se eu penso em você ao meio-dia, um segundo depois são onze e vinte da noite. tudo escurece: o mote, o norte, os montes e a luz do poste. morre o vaga-lume. some o horizonte. quando penso em você, independentemente da hora, o relógio agoniza, a lua suicida e a poesia adoece. apenas a tristeza roça além do que não pode... quando penso em você. quando penso em você, a literatura se fode e,quase, vira zero: zero vírgula, este verso que não morde. Comments: se te convido aos beijos mais lambidos, aos mais ardentes amassos, tu me recitas marcos. se te falo das loucuras da vida em nome de uma poderosa paixão, tu arregalas os olhos, e me vens com joão. se fomento arranha-céus de frases bonitas, dizendo que findaram as tuas buscas, tu ris, e me calas com lucas. se proponho dar açúcar aos mais eróticos sonhos teus, tu me brindas com um versículo de mateus. vou parar ra-pi-di-nho com isto pois, vá que eu abra os braços, e tu me pegues para... cristo! Comments: Sábado, Outubro 10, 2009
me iluda me escreva me grite me tuíte! sem você a minha vida são sombras de munch, nos pincéis de magritte. me chama me engana... manda um telegrama! me convida pra beber um sexo em copacabana. e eu juro ser pra sempre, o cara mais bac...sacana. me acorde dissonante me pata de elefante me mil autofalantes... com você eu ouço mudo, até cover dos mutantes. me dá meia volta e volta: - vorta preu, isguinorânte! Comments: Quinta-feira, Outubro 08, 2009
manifesto d1 (musica(ia)do) vou mostrar como se inventa nem precisa saber como se faz não precisa, não precisa não. a gente tenta, a gente experimenta a gente monta e desmonta no final...a gente dá conta! a palavra que escarra, pode o dedo que afaga, deve a mão que apedreja, beija o som que esbarra, funde bota um back na fita - não fode! - regurgita a birita, e estica - :rádio fora do ar (bzzzzz...) - o lastro é uma caixa de fósforos... o resto, vem pra cá que te mostro! Comments: Sábado, Outubro 03, 2009
por onde andará bete? estará em nova iorque tomando remédios para insônia? ou seguindo os passos de darwin pelas geleiras da patagônia? bete nunca mais ligou. por onde andará? bete está rasgando um ecstasy pelos becos da cidade de goiás. bete está no caminho de santiago atrás de um anjo qualquer que fugiu dos meus quintais... bete nunca mais ligou. bete nunca mais. por onde andará bete? além de aqui, nos corredores desta solidão que me rói? bete está no rio, mais precisamente, no recreio dos bandeirantes, ouvindo um rock do hanói hanói ... bete nunca mais ligou. bete nunca. por onde andará bete? estará numa sala de bate-papo, comendo alguém via internet? ou lavando o chão de uma kitinete no centro de berlim? bete, bete, bete... enquanto me embriago desta saudade diet e fico a compor versos assim. Comments: Segunda-feira, Setembro 21, 2009
viva o orixá, viva o boi-bumbá, viva são cosme e damião viva o milagre presente na eletricidade, na ciência e no aperto de mão viva a diversidade, o inconsciente coletivo, viva o respeito ao deus vivo de cada religião viva nietzsche, viva a cor do azeviche, viva a relatividade em se olhar o horizonte viva a obra de arte, viva a divindade latente em tudo que faz parte da ilusão universal viva bem, viva também (e muito bem!) o prazer sexual viva o estado laico, viva o eco da pluralidade, viva a universidade e o exercício da constituição viva a tolerância, viva a sabedoria, viva a luz que clareia o dia e dá alma à televisão viva o mundo de um modo misto, viva o amor de jesus cristo e viva a compreensão! Comments: Sexta-feira, Setembro 18, 2009
que eu te ame com a paciência e a destreza de um velho oriental a compor seu origami. que eu te ame pacífico e pleno como o caminhar de um índio ianomâmi. que eu te ame como poeta homem que mais prefere ser pessoa do que sobrenome. Comments: Quarta-feira, Setembro 09, 2009
tudo noite escura e eterna: nada brilha. tudo lanterna sem pilha. ilha deserta longe de afeto e canto. sem onde ou rota. nenhuma prata nenhum pirata nenhum navio aporta. tudo negro e sem ar: mar quebrado em si mesmo. Comments: Terça-feira, Agosto 25, 2009
por fora, trago o sabor da amora; por dentro, uma saudade que devora. por fora, comemoro a vida; por dentro, sou veia cava obstruída. por fora, um banquete sobre a mesa; por dentro, essa dinamite acesa. morreu o cravo, sonhando a margarida. pelo próprio espinho, se fez a rosa, ferida. por fora, a poesia move; por dentro, o verso suicida. Comments: Sábado, Agosto 22, 2009
sempreviva eu sou a menina velha da casa da ponte eu sou a casa velha da ponte, menina, sou o afeto que não se encerra na serra que doura o horizonte. eu sou o pente que despenteia o vermelho rio que dizcora a areia sou a terra-roxa-negra-india e mulata. eu sou o poente que serpenteia lua e sol de prata, manteiga de lata sobre prato azul-pombinho. pombinha estranha no ninho. aninha. transbordo seus carcomidos lençóis de linho trago o trigo e tecnologia. sou a maria perdida, a maria grampinho a maria sem vergonha florescida entre os becos e as pinguelas da vila. eu sou a magia da macumba boa na mira de pablo neruda. vintém de cobre angu de pobre coisas da vida... eu sou a trepadeira que escal(d)a o fogo da alegria ressuscitada. rogai por mim a poesia e toda essa gentinha que nao vale nada -minha nossa senhora, toda minha! eu sou a abelha operária, mestra e silvina. sempre rimatuante arrimo da propria rima. eu, eu sou cora cora lina! Comments: Domingo, Agosto 09, 2009
a minha dor acaba aí, onde começa a sua boca. um beijo seu acende o céu e muda a roupa do destino. eu sem você, triste violino: mesmo calado, desafino. Comments: Sábado, Agosto 01, 2009
Comments: Quarta-feira, Julho 22, 2009
a toda hora a todo instante onde quer que eu esteja: nos correios, em transe ou na roda-gigante me vem de repente o seu semblante. entre um pensamento e outro como uma onda do havaí erguendo-se no meu mar-morto. a toda hora, a todo instante onde quer que eu esteja: em alfa-centauro, no horto ou na igreja você é tudo, tudo que a minha alma deseja. no bar dos artistas na praia dos ingleses na rua da lama ou no alto da glória eis você: o sal da memória. a toda hora a todo instante você pra sempre rimã do meu sempre. até mesmo no espelho, entre a escova e a pasta de dente. Comments: Domingo, Julho 12, 2009
eu te amo música antiga, velha roupa colorida, eu te amo, bem maior que a vida. te amo paralelepípedo inconstitucionalíssimamente te amo igual a tanta gente que mal sabe que ama assim tão diferente. oma et ue ed sárt arp etnerf de dentro pra fora te amo e te reamo de dentro pra frente te amo ausente presente menos aqui e mais adiante te amo olho no olho te amo caolho te amo sem olho eu te amo miopia: lua noiva de dia (astigmatismo) eu te amo budismo, aula de catecismo e muito além do que cismo teamadoro pra sempre! ou de repente só agora ... como quem mente. Comments: Quinta-feira, Julho 09, 2009
Comments: Sábado, Julho 04, 2009
eu estou na u.t.i com a cabeça a premio e cada vez que você vem me visitar, baby, é pra desligar o balão de oxigênio. Comments: Comments: Domingo, Junho 07, 2009
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