MARCOS CAiADO |
Domingo, Junho 29, 2008
Comments: Terça-feira, Junho 10, 2008
pacatatucutia 1 cai-te tu pro outro lado, quitute ferve longe. procê num sei de onde, tucum é porco espinho. sai às longas do caminho, veste o samaricuti... do goiá, que deus te entregue só o avesso do pequi. 2 rita lee em beverly hills bruce lee em anicuns benza deus o deus daqui e o uiti de nós alguns la nave va pelo cerrado, pranto mor em cor-de-roça. até logo, até sempre lenço branco, rima sinuosa... eu não sou deste lugar vim do largo do chafariz. bem que se quis, ne me quitte pas... ave maria, meu credo in cruz. 3 tracajá jaca cajá, água benta no jacá. daime dá, midas me dá outro céu e outro luar... 4 num arrepari a disordi que se encontra em meu peito, eu num sei de onde venho onde tô não sei direito eu sou que nem curió que avoa amargurado cum canto triste no bico pelas catinga e cerrado. pacatatucutia Comments: Sexta-feira, Junho 06, 2008
1 pensei que fosse oceano; era só um aquário. pensei que fosse paris; eram os 20 watts de uma lâmpada no canto do cenário. pensei que fosse mozart; eram os acordes imperfeitos de um jingle ordinário. pensei que fosse o pecado maior; era o mea-culpa de um réu-primário... pensei que fosse você... mas era apenas o sol. 2 canção de exílio - para ledusha vontade de você no posto nove papo pro ar lendo o sol e jornal do brasil vontade de chupar chica-bom com beijo papo-de-anjo ao som do gilberto gil um trotoir pela ciclovia da poesia enquanto a tarde (na clandestinidade) nocauteia o dia. vontade do sotaque carioquês: frango xadrez- chinês na praça da paz (andar pela praia até o leblom) vontade de te tocar mais e mar... e outra vez. o carnaval passou e a vida só cantou o samba que a saudade fez 3 às vezes você some e fico eu só fazendo serenata pro trombone. por que você não pega o telefone e me liga? por que não me escreve? por que não berra o meu nome?! - me dá um grito! - às vezes você some e eu fico só, neste ímpeto de querer rumar a cabeça num paralelepípedo. amor não tem que ser suicídio, dá meia-volta e volta. volta ao início. quando você desaparece, até o travesseiro vira precipício. Comments: Quarta-feira, Maio 28, 2008
este poema não é um poema. este poema é um pano de prato pronto pra ser bordado em ponto- cruz e ponto final. este poema não é um poema: é o trejeito - insatisfeito - de um canto mero; pranto sussurrado no limbo. este poema não é um poema: é um cachimbo. Comments: Domingo, Abril 06, 2008
13/10 gyn dentro de mim o vazio inventa. 14/11 x-zone ouço o mar distante numa latinha de refrigerante 16/11 caldas novas a abelha rainha rouba o néctar nas flores do meu edredom. 30/12 arraial d' ajuda em tempos de vaidades passageiras, viva a elegância das estrelas! 20/3 olinda em locubrações inexatas você tão bonita quanto um abridor de latas. 12/7 aruanã trago a sina do peixe nascido pra beber o rio 3/11 ouro preto ...e é mesmo assim o amor: um dia rima, no outro esgrima. 27/11 gotham city neurônios emitem postais de abrolhos. 4/12 linha vermelha lavai o rio! 24/12 bsb tempo seco. falta humildade. 27/12 chapada hoje é segunda, amanhã será domingo: esvai-se a tempestade na brevidade de um pingo. 22/1 wyoming incisivo sobre a neve o raio de sol inscreve 4/5 barra pronto, o amor esgrimou! Comments: 1 te amo além do que devo do que atrevo ou posso. sonho e pesadelo: te amo em paradoxo. - te amo! brado e berro e grito aos 7 mares, aos 4 ventos ao n infinito... em cada um dos meus cantares desagüe a paixão que sinto: highway e labirinto. - te amo... e te minto! 2 é só você vir, e o meu mar-morto se revira. pira. fica de pernas pro ar... você parece cocaína: liga! ativa a turbina que alimenta luz do dia em noite sem luar... você me dá ta-qui-car-dia, dor-de-barriga, tremedeira... traz coceira à pele do desejo: tal qual urtiga! sua presença, tem o gosto daquele pão-de-queijo, que o desgraçado do vizinho faz e não convida! 3 o lance agora é sair por ai com a dentição afiada. beber sangue como quem bebe água. entre delírios e devaneios, o lance é cear com vampiros. morder pescoços e seios de meros desconhecidos. o lance agora é dormir o dia inteiro e sonhar que, em alguma era, fiz parte do mundo dos vivos. Comments:
1 tudo noite escura e eterna: nada brilha! tudo lanterna sem pilha. ilha deserta longe de afeto e canto, ou onde ou rota: nenhuma prata nenhum pirata nenhum navio aporta. tudo negro e sem ar: enfisema... 2 não creio em palavras, presságios. só tenho horários para ser o que não quis. mil e um horrores erguidos na ponta do nariz. por isso grito solitário que, o ato de existir é um tecido ordinário onde o poema maior foi escrito a giz. vida sem pena, paquiderme aprendiz. vida pequena, por que não pude ser feliz? 3 um inseto cava cava sem alarme perfurando a terra sem achar escape (carlos drummond de andrade) cavuca inseto... cavouca! pois teu fim é alvo certo: enquanto rendes o inferno eu assisto ao teu enterro. labuta inseto, labuta! cava a cova sem escape. e esta sina que te cega, seja a mesma que me mate. Comments:
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era abril 9, ou maio à tarde, na cidade de nova-iorque?! tu me ninavas entre goyas, gorros e braques... eu, por fazer, o bigode. uma nota de chuva fina, (me & carina), dividia os céus, pós-théos, com alguma bailarina de degas; enquanto armando, harlem nos pignos, contava de gauguin, ca-olhando basquiat... ah, manhatã!... saberias que tardes amanhecem em tua direção?! que retas expressionistas alinhavam o meu par- tido coração? 2 sambinha pra tico-tico cantar . só sei que este meu amor que sempre lhe sabe onde sobe morro, não se esconde dorme com a visconde e acorda o humaitá (este amor, amor que dê-lira numa gira de irajá) amor, amor, este amor é o mar... ah...este amor que em si desenha desdenha as areias do leblom: - joga futebol na penha! (este amor tão bom de bola e de afeto!) pega o direto pra lapa dá um tapa no boréu depois corre e discorre pelas ladeiras de vila isabel amor, amor, este amor é o céu... este amor este amor este amor bem maior que os homens, jamais se sabe onde, também fica de porre mas nunca perde o bonde (da história) este amor este amor-mor posto que é nove (all you need is love) não, não morre na praia... este amor vira herói em niteroi e em minh'alma bota-fogo este amor: copa, lindo-leme pira o jogo da memória. e quando o samba geme canta&dança por inteiro depois, sorrateiro se descamba lá pro outeiro da glória! (braços abertos sobre a guanabara...) este amor este amor este amor 3 barulhinho surdo de azul celeste revirando poeira na estrada; toada leve de joão-congo sorrindo morada nova pra nova namorada; lamento ensimesmado de moinho-lua no fim da corredeira d' água: é a dor da saudade, ciscando luz, qual quase nada. Comments:
1 comum, como uma noite sem moom. como um bamboo que parte o azul. tão comum, como um bum nas ruas do iraque, um traque em noite de são joão... comum, como o tic-tac do relógio ou o movimento - ilógico - deste pobre coração. comum, como um pum depois da feijoada; um beijo rumo ao céu da namorada... comum, como o vício que me fez palavra, eis minha dor: - única estrada . 2 que ave será essa que só canta a dor da solidão?! um bem-te-vi que não vê? um beija-flor sem a flor? um solitário canário, ou um quero-quero em desespero? qual será o pássaro hospedeiro deste meu coração mero? 3 joana boba, joana boa, joana sempre badulaqueira... joana guarda de tudo: braço de boneca quebrada, maço de cigarro vazio, brinco de um pé só e anel de pedra nenhuma: coisas sem sentido! guarda papel de bombom dourado, por qual de nós comido? eita joana boba! eita joana louca! - terá meu coração aprendido contigo? Comments: 1 calou-me os brinquedos e cravou um buquê de rosas em minhas costas: deu-me uma de suas asas. então, só era possível voar se nos houvéssemos abraçados. fomos ave e raio, delírio e lua nas árias de uma jura infinita... porém um dia, num vento breve, me deu um beijo e roubou de mim todos os sorrisos. foi-se embora para brasília... hoje, se quiser voar, que use a asa-sul! 2 respeito tua escolha: saca o vinho e bebe a rolha. insensatez também seduz: mataste o cristo em nome da cruz! 3 a indiferença, nunca o afago, dedica ao bem-amado. inimigo, põe-te à distancia do mais querido. e, sabe sábio: o melhor beijo se rouba do próprio lábio. Comments: 1 às vezes, tenho terríveis dores de cabeça por me envolver com tanta literatura: urgh! indisposições cruéis, que penso não ter cura. pego o terço, corro à bíblia: ó senhor, livrai-me de tal frisson!...mas deus não me livra: não raro, erro o livro sagrado, e abro um drummond. 2 eu sempre fui assim mesmo: byroniano entra ano, sai ano eis-me aqui: mais um amor frustrado e outro desengano. 3 o meu pacto com a literatura, era festejar você em cada figura. - pede desculpas este poema. Comments: 1 eu só não sabia que havia um outro coringa no baralho. - caralho! você pegou o morto e bateu de fato. resto eu agora, perdido, neste buraco. 2 esquece tudo o que eu disse frases, juras, promessas. : foi!... era tudo sandice! esquece meu endereço, a data daquele ingresso e todo gozo do meu beiço. esquece.esquece.esquece. já que este amor moderno pretere laços e acabamento, cumprido está o seu papel. gasta a reza em outro templo, mesmo deus muda de céu. iça a vela... salve o vento! esquece! 3 para lyce cadê vc no cinema do shopping ou no alto da colina? cadê vc naquele dia q não saimos pra beber? primA. PrimA! vê se manda notícias, pois a vida passa ligeira e eu fico sem saber... primA, PrimA saiba que a memória é mais ligeira ainda: não me deixe te esquecer primA, primA! só a saudade demora então vê se não me enrola, que eu gosto muito docê! Comments:
1 hoje eu acordei com o medo e os seus seis mil dedos me cutucando. o medo vem em ondas reverbera serenatas frias com a caligrafia das bombas. 2 enquanto busco na palavra a chave para o poema, meninas brasileiras de treze anos são trocadas por 100g de ouro nas ruas de cartagena - colômbia. enquanto as leis do tempo e da gravidade arranham a tua beleza pequena, george bush e uma renca de discípulos da maldade matam e condenam em nome de que verdade? cadê a porra da chave?! pára o poema. 3 taça cheia de faz-de-conta e a política absolutamente tonta. Comments:
1 o que você procura não está em cingapura. pra você não há ninguém em jerusalem: - eu estou aqui! não adianta se iludir com os passos de uma balalaica, ou achar que o amor floresce sob o sol da jamaica: - eu estou aqui! não, não adianta não, tomar um transatlântico do japão para cuba ou querer fazer uma suruba com a geografia da terra: o cupido quando mira, ele não erra! eu estou aqui: não sei se poodle ou pit-bull, só sei que o amor que guardo está escrito nas estrelas do cruzeiro do sul. 2 vem, que eu vou gozar o gozo mais febril. eu vou reinventar a aquarela do brasil num mapa-múndi que ninguém nunca viu. vem, que rosas vão se abrir na palma da minha mão quando eu roçar o teu quadril. ave primavera em noites de abril... vem, refaz as contas desse estado de coisas sem beleza. toca comigo as luas da generosidade e suas sedas. vem, estende teu estandarte sobre o corpo meu: afasta as sombras de mais um deus que morreu. 3 que eu te ame, com a paciência e a destreza de um velho oriental a compor seu origami. que eu te ame, pacífico e pleno como o caminhar de um índio ianomâmi. que eu te ame, como poeta-homem: que mais prefere ser pessoa do que sobrenome. que eu te ame! Comments: ![]() 1 cego, afago os perfumes do tempo. na ferrugem dos lírios, o amor desacontece. há uma canção fria e morta sonhando a tua face: recolhe noite em meus versos. 2 dorme a casa dorme a crase dorme a asa da borboleta. numa metamorfose tão exata dorme a letra ilegível. dorme a arroba e a rota, o doze e a dúzia, dorme o artigo indefinido. dorme a água do aquário, dorme o vaso sanitário, e o vocabulário indizível. dorme o fóssil, pra lá de antigo, o agora e o minuto além. dorme aquiles, o mito, e aqueles que muitos chamam ninguém. dorme alice e o lustre, a tinta e a paleta neste verso dormidouro. dorme o infinito sem conceito - um dormir tão perfeito que parece até poesia! dorme a canção, dorme a liturgia dorme a cor e a alegoria. dorme aquela velha alegria que triste se apega e do paradoxo não larga. dorme tudo: desde o raso até o fundo. como um defunto. dorme o lodo na calçada, a vaca atolada, o outro lado da rua... dorme a flor dilacerada e mesmo o medo dorme tranquilo. dorme isto, essa e aquilo: toda grama e centímetro a libra, o zêlo e o gemido desmedido. dorme o esquilo na paisagem americana e a lua no céu de araraquara. dorme o vento, o assentamento e a arara o sono dos justos, dormem marte e o deserto do saara. apenas eu insisto diuturnamente acordado visto ser impossível dormir sem você ao meu lado. 3 queria que estivesses pensando em mim sonhando comigo ou sentindo minha falta mas estás tão distante que nem um grito grande nem minha voz mais alta te atinge segue então esta minha mágoa despetalando lágrimas em tímpanos de esfinge. Comments: 1 nessa areia branca onde traço algum adianta onde tudo que se escreve tão breve apaga o vento nessa areia branca encontre eu o meu assento. 2 tempo, em minha lápide escreve a lápis. a poesia, devolve aos miosótis. 3 ávida ave em queda livre: a vida que se vive. Comments:
1 era o fim do fio da linha. era enfim, o mais dolorido espinho ungido pelas mãos de um anjo ruim: - a vida sozinha outra vez. era a amargura do inverno, e seus indeléveis reveses, arranhando luz, olhos e tez. salmoura de desertos sobre tão ternos afetos. (o inverso de deus em uma lua doente). era a madrugada desabençoando, de todo, o eterno agosto. e o vento maldito da saudade semeando sombras em meu dorso. 2 não há ninguém no jardim não há luar, nem jasmins: jardins não há também. sumiram todos os ventos (e ventres), e os rabiscos da vida, e a taça do vinho. não há caminho: - tu, por onde vens?! dardos cegam o peloponeso dardos rumo a mim mesmo. enquanto a figueira balança, última, a esmo. foi no limiar de um beijo que deus ceifou cada endereço. - não nos reconheço nas fotos eramos felizes, ou mortos? 3 a cabeça dói a cabeça acabe Comments: 1 guaxinins afoitos assistem aos nossos coitos. e pedem bis- coitos. 2 em tua direção marcha o prazer em teus flancos mora minha libido mas morro de ciúmes se me trais com teu marido. 3 ainda que peças não barganho promessas em outdoor. cartas de amor, só envio aos cuidados de godot. Comments:
1 me encanta afagar o nada pensando em ti e depois sorrir que nem metáfora. me encanta o mantra breve do teu beijo no tintilar do radinho, no tique redemoinho do ventilador quase sem ar... me encanta reinventar a invenção da tua presença numa sempre mesma esperança. 2 a saudade será, a todo tempo, a esgrima que sombreia deste calendário avesso: perdi o número do teu telefone e deus esqueceu meu endereço. 3 nós dois on-line nós dois: os mais! indo ou vindo ... ouvindo violinos de berstein. nós, dos e-mails com davis' miles on mind... nós, dos bons-sais, boçais e tais as time goes bye. Comments:
1 havia um teto um intento e um tanto de telhas de loiça que partiram com o vento havia um lápis e uma criança na varanda: o anjo morto quase balança a asa, acende a lâmpada de aladim. houvera, também, milhões de mim ali, além do tudo que passa: vem, marcos, miremos o mundo cheio de graça! .................................. de repente, o imaginário ficou mudo. do nada, a via que havia foi interditada. de repente, o céu deixou de ser estrada: cala o rouxinol, nasce a lua quadrada. 2 e eu aqui, jeca-tatu-peba à espera do diabo que me carrega. e eu aqui, tadim di mim, sina pra lá de besta fincado em vida seca: - sempre assim... meia-sombra, barriga d'água meio-dia, meio-do-nada... (um azulão cortou o céu e eu aqui: tadim di mim!). tronco véi de anjico lá em cima daquele morro que o vento aflito verga e quais-quebra no grito. há muito, (ou será só minuto?) a chama da mesma estrada no vinco de cada sulco. e eu ali, tadim di mim, ........................... apenas o vento que o grito quebra... 3 a poesia que busca é essa, tão ineficaz à paz e tão disposta à cruz? que, ama o poder da voz e amarga quando o verbo diz? busca difusa; aprendiz do viés. bailarina enfurecida pisoteando os próprios pés. Comments: 1 no olimpo disfarçado de deus até mesmo zeus toma-me por um dos seus. 2 ao meu olhar impreciso é o lago quem se levanta pra beijar narciso. 3 Soneto So le tro Di as E Anal fa be to Os De le to. Comments:
1 eu te desejo tão de repente sorriso largo do chafariz bem que se quis ne me quitte pas yesterday seja cá-já pode vir quente que eu estou. eu te desejo numero um milhões de vezes na s-3 são dez prás 10 eu aos seus pés você em mim uuuuuuuuu... que 10! eu te desejo quase sem fim amor assim verás jamais no telecine ou em outros canais. eu te desejo em qualquer luar chão de tesouras e aricá em mil alqueires de bem-me-queres são dois prá lá e nóis pra cá eu te desejo sem ordem e sem lugar sem rir e sem falar com uma mão com a outra bate palmas pirueta trás-pra-frente eu te desejo presente. 2 em tudo que vejo, te vejo. na muriçoca zuando sobre o azulejo da copa, no lampejo da lua e sua magia ignota. estarás até quando no beijo da novela, na ponta do novelo de lã amarela, ou no cotovelo da bela adormecida? em tudo que olho te colho a esmo (sem rasura e sem saída): na decida da ledeira do pelourinho, na pedra no meio do caminho e até mesmo naquela epístola do auto da compadecida. como um quixote que pretere a sorte de ver no moinho somente o moinho, em tudo que vejo vejo de ti um pouquinho. 3 a toda hora a todo instante onde quer que eu esteja, nos correios, em transe ou na roda-gigante me vem de repente o seu semblante. entre um pensamento e outro, como uma onda do havaí erguendo-se no meu mar-morto. a toda hora, a todo instante onde quer que eu esteja: em alfa-centauro, no horto ou na igreja você é tudo que a minha alma deseja. no bar dos artistas na praia dos ingleses na rua da lama ou no alto da glória eis você: o sal da memória. a toda hora a todo instante você pra sempre rimã do meu sempre. até mesmo no espelho, entre a escova e a pasta de dente. Comments:
1 eu, o preto e branco no cinema você, a tecnologia da vida é bela. eu, ruídos de rádio sem antena você, gisele bündchen na passarela eu: pessoa, rosa e bandeira você: paulo coelho na prateleira. e a lua alinha a noite. - tudo besteira! 2 eu, o retrato de dorian gray você, a peruca da doris day eu, o fio do bigode você, carla perez no pagode comigo- nin guém-po de contigo é nome de revista... e a lua alinha a noite... 3 eu, coqueiro de itapuã você, fla-flu no maracanâ. eu, a culpa do judeu você, o pecado nem nasceu e a lua alinha... 4 eu não vivo sem você você, vitamina c e cama eu, este poema sem fim. você longe de mim. e a lua... - cadê a lua?! Comments: 1 eu não tenho hora certa eu não tenho vida certa eu não vim jantar com você eu no fundo sou um vagabundo oriundo de lugar nenhum fui ungido por um abc que fugiu ontem às 7 da ala principal do zoo amanhã, peut-être, esta mesma poesia me desentregue azul não, eu não sei de nada: sim-salabim pindamonhangaba, iabadabadoooo.... 2 cansei! tô de saco cheio. sai pra lá levando cela, estribo e arreio: não nasci pro cabresto! deixe-me pastar quieto. sozinho. a mim me bastam o capim azedo das horas e suas afiadas esporas. 3 já não tem mais importância se você está perto a um metro ou kilômetros de distância... Comments: Sábado, Abril 05, 2008
1 colhi a lua e a luz da lua na flor que me deste. plantei um poema onde havia a lua, e a luz da lua, pelo o amor que persiste. mas tu foste embora, deixando a metáfora no escuro. hoje, a flor morre triste e o poema anoitece incompleto. 2 singra, raio- de- sol na tre- liça. alheia, em um trono de louça, a poesia espreguiça. 3 dentro de mim o vazio inventa. Comments: 1 pensei que fosse oceano; era só um aquário. pensei que fosse paris; eram os 20 watts de uma lâmpada no canto de um cenário. pensei que fosse mozart; eram os acordes imperfeitos de um jingle ordinário. pensei que fosse o pecado maior; era o mea-culpa de um réu-primário... pensei que fosse você, mas era apenas o sol. 2 canção de exílio - para ledusha vontade de você no posto nove papo pro ar lendo o sol e jornal do brasil vontade de chupar chica-bom com beijo papo-de-anjo ao som do gilberto gil um trotoir pela ciclovia da poesia enquanto a tarde (na clandestinidade) nocauteia o dia. vontade do sotaque carioquês frango xadrez- chinês na praça da paz (andar pela praia até o leblom) vontade de te tocar mais e mar... e outra vez. o carnaval passou, a vida só cantou o samba que a saudade fez 3 às vezes você some e fico eu só fazendo serenata pro trombone. por que você não pega o telefone e me liga? por que não me escreve, ou berra o meu nome?! - me dá um grito! - às vezes você some e eu fico só, neste ímpeto de querer rumar a cabeça num paralelepípedo. amor não tem que ser suicídio, dá meia-volta e volta. volta ao início. quando você desaparece, até o travesseiro vira precipício. Comments: Sexta-feira, Abril 04, 2008
1 a lua que tão alto voa apaga a rua do ouvidor apaga a praça da liberdade e apaga, toda, o meu amor a lua que apaga a lua sequer lhe sabe o nome vibra inteira e obscura entre as facas do ventilador. 2 se eu penso em você ao meio-dia um segundo depois são onze e vinte da noite. tudo escurece: o mote, o norte, os montes e a luz do poste. morre o vaga-lume, some o horizonte. quando penso em você, independentemente da hora, o relógio agoniza, a lua suicida e a poesia adoece. apenas a tristeza roça além do que não pode....................... quando penso em você. quando penso em você, a literatura se fode e, quase, vira zero: zero vírgula, este verso que não morde. 3 eu não quero nada além deste verso sem sentido eu, que queria o mundo se vc viesse comigo. abracadabra abre o escuro Comments: 1 por onde andará bete? estará em nova iorque tomando remédios para insônia? ou seguindo os passos de darwin pelas geleiras da patagônia? bete nunca mais ligou. por onde andará? bete está rasgando um ecstasy pelos becos da cidade de goiás. bete está no caminho de santiago atrás de um anjo qualquer que fugiu dos meus quintais. bete nunca mais ligou. bete nunca... por onde andará bete? além de aqui, nos corredores desta solidão que me rói? bete está no rio, mais precisamente no recreio dos bandeirantes, ouvindo um rock do hanói hanói. bete nunca mais ligou. bete nunca mais. por onde andará bete? estará numa sala de bate-papo, comendo alguém via internet? ou lavando o chão de uma kitinete no centro de berlim? bete, bete, bete... enquanto me embriago desta saudade diet e fico a compor versos assim... 2 talvez em janeiro eu ganhe muito dinheiro e em fevereiro tenha gasto ele inteiro. talvez em março eu roube um barco e aporte em abril na puta que o pariu... talvez em maio eu saia de soslaio e traga em junho uma arma em punho. talvez em julho eu te jure de morte e em agosto fique ao gosto da sorte. talvez em setembro eu diga que nem me lembro e em outubro te redescubro. talvez em novembro peça eu ao tempo que ressuscite o nosso eterno dezembro... talvez janeiro seja dezembro o ano inteiro... 3 se te convido aos beijos mais lambidos aos mais ardentes amassos, tu me recitas marcos. se falo das loucuras da vida em nome de uma poderosa paixão, tu arregalas os olhos, e me vens com joão. se fomento arranha-céus de frases bonitas, dizendo que findaram as tuas buscas, tu ris, e me calas com lucas. se proponho dar açúcar aos mais estranhos sonhos teus, tu me brindas com um versículo de mateus. vou parar ra-pi-di-nho com isto. pois vá que eu abra os braços e tu me pegues para... cristo!! Comments: 1 resto eu agora, vazio de prumo e de colo descolorindo lençóis no underground eu estou na u.t.i. com a cabeça a prêmio e cada vez que você vem me visitar, baby!, é para desligar o balão de oxigênio. 2 nada além da meia-noite demorada. aquela que chegou de mala e cuia na minha vida, sem pedir licença. a meia-noite de sempre. que já é amiga de infância, namorada e confidente fiel. presente eterno. olá, meia-noite!, eu digo. e ela retruca: olá por quê? se nem fui embora ... não sai nem pra dar um espirro. meia-noite sem lua e cheia de birra: - ora, marcos, eu vim pra morar! 3 morri naquele meio de tarde. alheio ao carnaval que corria. morri de beijo perdido. e nunca mais voltei... passo agora, horas a fio, tecendo grafias em queixumes de vento. morri sem avisar. enquanto vestia minha fantasia de rendas em frente ao mar... a alguém fiquei devendo um lírio branco. não sei se pago. amanhã, mais uma vez, em nome de iemanjá, volto a ser este mesmo dia: mãos frias de indiferença e sopro breve de andorinha triste. morri, enquanto morria. Comments:
1 Saudade da nossa cama saudade da nossa história saudade da felicidade de quem é amado e ama saudade do adesivo fosforescente do pato grudado na porta branca do nosso quarto. saudades dos teus beijos, dos teus becos, dos teus braços do hábito do teu hálito e da lua na tua tatuagem... - meu deus, é saudade pra horizonte e meio! é saudade pra estribo, barrigueira, rédea, pelego, cabresto e arreio... (saudade pra burro saudade sem freio!) água branda de correnteza e lambari, saudade parente transparente, pra lá e praquí... saudade imensa, dessas que não pára: ganha praça, cidade, rodoviária e num pensa: só viaja! saudade passarinho sem ninho, saudade borboleta bêbada... (nunca saudade naja!) e nem adianta fechar cancela, ou querer sair da frente. a saudade que atropela, sabe sempre onde mora a gente. 2 para estar contigo, privo-me da luz do dia abandono o melhor abrigo - isso não me angustia! - para estar contigo, assino contrato, aceito fazer papel de mero amigo do peito remeto às favas, as claras e puras águas do ganges que alimentara nosso grande amor-perfeito ao zero, o bolero mais terno - e a medida desmedida do eterno - a zero, o eco, o cerne e o abdome desta minha carne que tanto deseja sem mágoas, serei apenas um nome. conversa fiada, afiando afeto que não beija! ( nunca mais, a língua nua no céu da tua tatuagem nunca mais, a linguagem da tua nuca em minha cara-metade) quero tanto estar por perto que a mim pouco importa se o que mata minha sede é o deserto. 3 mandacaru floresceu já é hora do adeus. afasta os teus olhos dos olhos meus. felicidade um dia quer no outro não quer mais. sem mandar aviso o sonho se desfaz. é preciso matar e morrer num tiro só. um dia o amor vibra no outro vira pó. mandacaru floresceu pra dizer aos teus olhos que eles agora são de deus. Comments: 1 é assim o meu papo com a arte dessa terra ela olha pra mim e diz: - me erra! 2 quando eu nasci, não veio anjo nenhum... - o céu estava em greve! - o que veio, foi um diabinho feio dizendo: vai, marcos! escreve, escreve, escreve... 3 por fora, trago o sabor da amora; por dentro, uma saudade que devora. por fora, comemoro a vida; por dentro, sou veia cava obstruída. por fora, um banquete sobre a mesa; por dentro, essa dinamite acesa. morreu o cravo, sonhando a margarida. pelo próprio espinho, a rosa, se viu ferida. por fora, a poesia move; por dentro, o verso suicida. Comments: Comments:
1 é desconcertante ver-te agora como sol-poente. tu que foste tão brilhante: aliança e dia-amante. 2 enquanto o coração baba o ovo a razão refaz o totem. se quiser-me de novo me procure ontem. 3 seja amor ou love love ou amor tome antes um engov depois um anador Comments: Segunda-feira, Março 31, 2008
1 você disse some e eu somei. eu disse some e você sumiu. 2 nada a declarar. a não ser que estou cansado e sem escudos. que depois que você foi embora, os deuses ficaram mudos. que as borboletas voaram pra outros mundos e eu fiquei só. só eu e os meus cadernos, à mercê dos mais profundos invernos... nada a declarar: a não ser que eu estou cansado e sem horizontes. que depois da sua partida, os amigos se debandaram aos montes dizendo o quanto fiquei chato e intragável. e quando até o automóvel se nega a dar partida, repito comigo mesmo: coisas da vida... vai passar! a droga, é que nunca passa. o foda, é que tudo perdeu a graça. (vale acrescentar!) vale acrescentar que, cada vez que bato à porta da alegria, ela grita de longe: passa outro dia! tá tudo muito escuro. sequer o futuro acredita num claro despertar... ficamos então combinados: vou dormir com mais este maço de desagravos e se por acaso acordar do meio deste pesadelo, peço desculpas a ele. viro de lado e digo: coisas da vida, amigo... pode continuar! 3 você roubou os meus salvo-condutos, os meus lábios sujos e minha ausência de parafusos... roubou-me inúmeras dúzias de preciosos 50 minutos. abraços dementes, idades, idéias e eus confusos. você roubou a arquitetura do meu educandário, a margarida da praça, a praça, e o relógio do rosário. relegou meu abecedário ao molho, furou cada um dos meus quase cem olhos: - você me deixou! Comments: Quinta-feira, Março 27, 2008
1 não. não mais te amo. não. não tem mais como. não! eu não te como mais. - morreu de sono a espera. 2 bilhete com este segue um buquê de flores mortas e as chaves que fecham todas as portas. nossas tramas de amor, bagagem perdida. não pedirei reembolso nem à varig nem à vida. a lua que líamos no lago, o boi bebeu. 3 sem maiores pretextos, sem virar-me do avesso, ja posso ouví-las todas: fim e começo. não trazem mais seqüelas as nossas músicas: "aquelas". se paguei pelas saudades um alto preço, ou se sofri sedento por teus rebites, thats the past: estamos quites! do tudo que fomos nós restam eu e mais eu, apenas. esquecido dos breus, volto a ser a ave plena. vôo solo isento de penas. Comments:
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