MARCOS CAiADO


Domingo, Abril 06, 2008







outras viagens





13/10

gyn

dentro de mim o vazio inventa.



14/11

x-zone

ouço o mar distante
numa latinha de refrigerante




16/11

caldas novas

a abelha rainha rouba o néctar
nas flores do meu edredom.




30/12

arraial d' ajuda

em tempos de vaidades passageiras,
viva a elegância das estrelas!




20/3

olinda

em locubrações inexatas
você tão bonita
quanto um abridor de latas.




12/7

aruanã

trago a sina do peixe
nascido pra beber o rio




3/11

ouro preto

...e é mesmo assim o amor:
um dia rima, no outro esgrima.




27/11

gotham city

neurônios emitem postais de abrolhos.




4/12

linha vermelha

lavai o rio!



24/12

bsb

tempo seco.
falta humildade.




27/12

chapada

hoje é segunda, amanhã será domingo:
esvai-se a tempestade na brevidade de um pingo.




22/1

wyoming

incisivo sobre a neve
o raio de sol inscreve




4/5

barra

pronto, o amor esgrimou!












Comments:



1

te amo além do que devo
do que atrevo ou posso.
sonho e pesadelo:
te amo em paradoxo.

- te amo!

brado e berro e grito
aos 7 mares,
aos 4 ventos
ao n infinito...

em cada um dos meus cantares
desagüe a paixão que sinto:
highway e labirinto.
- te amo...

e te minto!



2

é só você vir,
e o meu mar-morto
se revira.
pira.
fica de pernas
pro ar...

você parece cocaína:
liga!
ativa a turbina
que alimenta
luz do dia
em noite sem luar...

você me dá ta-qui-car-dia,
dor-de-barriga,
tremedeira...
traz coceira
à pele do desejo:
tal qual urtiga!

sua presença,
tem o gosto
daquele pão-de-queijo,
que o desgraçado do vizinho
faz
e não convida!



3

o lance agora é
sair por ai
com a dentição
afiada.
beber sangue
como
quem bebe água.

entre delírios
e devaneios,
o lance é
cear com vampiros.
morder pescoços
e seios
de meros desconhecidos.

o lance agora é
dormir o dia inteiro
e sonhar que,
em alguma era,
fiz parte
do mundo dos vivos.












Comments:


1

tudo noite escura e eterna:
nada brilha!
tudo lanterna sem pilha.

ilha deserta longe de
afeto e canto, ou onde
ou rota:

nenhuma prata
nenhum pirata
nenhum navio aporta.

tudo negro e sem ar:
enfisema pulmonar.
parada cardíaca.



2

não creio em palavras,
presságios.
só tenho horários
para ser o que não quis.
sou metáfora de cores parcas,
mil e um horrores erguidos
na ponta do nariz.
por isso grito
solitário
que o ato de existir
é um tecido ordinário
onde o poema maior
foi escrito a giz.
vida sem pena,
paquiderme aprendiz.
vida pequena,
por que não pude
ser feliz?



3

um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape

(carlos drummond de andrade)



cavuca inseto... cavouca!
pois teu fim é alvo certo:
enquanto rendes o inferno
eu assisto ao teu enterro.

labuta inseto, labuta!
cava a cova sem escape.
e esta sina que te cega,
seja a mesma que me mate.









Comments:
1

era abril 9, ou maio à tarde, na cidade
de nova-iorque?!

tu me ninavas entre goyas, gorros e
braques...
eu, por fazer, o bigode.

uma nota de chuva fina,
(me & carina),
dividia os céus, pós-théos,
com alguma bailarina
de degas;

enquanto armando, harlem nos pignos,
contava de gauguin, ca-olhando
basquiat...

ah, manhatã!... saberias que
tardes amanhecem em tua direção?!

que retas expressionistas
alinhavam o meu par-


tido coração?



2

sambinha pra tico-tico cantar
.
só sei que este meu amor
que sempre lhe sabe onde
sobe morro, não se esconde
dorme com a visconde
e acorda o humaitá
(este amor, amor que dê-lira
numa gira de irajá)
amor, amor, este amor é o mar...

ah...este amor que em si desenha
desdenha as areias do leblom:
- joga futebol na penha!
(este amor tão bom
de bola e de afeto!)
pega o direto pra lapa
dá um tapa no boréu
depois corre e discorre
pelas ladeiras de vila isabel
amor, amor, este amor é o céu...

este amor este amor este
amor bem maior que os homens,
jamais se sabe onde,
também fica de porre
mas nunca perde o bonde
(da história)
este amor este amor-mor
posto que é nove (all you need is love)
não, não morre na praia...

este amor vira herói em niteroi
e em minh'alma bota-fogo
este amor: copa, lindo-leme
pira o jogo da memória.
e quando o samba geme
canta&dança por inteiro
depois, sorrateiro se descamba
lá pro outeiro da glória!

(braços abertos sobre a guanabara...)
este amor este amor este amor



3

barulhinho surdo
de azul celeste
revirando
poeira na estrada;

toada leve
de joão-congo
sorrindo
morada nova
pra nova namorada;

lamento ensimesmado
de moinho-lua
no fim
da corredeira d' água:

é a dor da saudade,
ciscando luz,
qual quase nada.










Comments:





1

comum,
como uma noite
sem moom.

como
um bamboo
que parte o azul.

tão comum,
como um bum
nas ruas do iraque,

um traque
em noite
de são joão...

comum,
como o tic-tac
do relógio

ou o movimento - ilógico -
deste pobre
coração.

comum,
como um pum
depois da feijoada;

um beijo
rumo ao céu
da namorada...

comum,
como o vício
que me fez palavra,

eis minha dor:
- única
estrada .



2

que ave será essa que só canta a dor da solidão?!
um bem-te-vi que não vê? um beija-flor sem a flor?
um solitário canário, ou um quero-quero em desespero?
qual será o pássaro hospedeiro deste meu coração mero?



3

joana boba,
joana boa,
joana sempre badulaqueira...

joana guarda de tudo:
braço de boneca quebrada,
maço de cigarro vazio,

brinco de um pé só
e anel de pedra nenhuma:
coisas sem sentido!

guarda papel de bombom dourado,
por qual de nós comido?

eita joana boba!
eita joana louca!

- terá meu coração
aprendido contigo?











Comments:


1

calou-me os brinquedos
e cravou um buquê de rosas
em minhas costas:
deu-me uma de suas asas.

então, só era possível voar
se nos houvéssemos abraçados.
fomos ave e raio, delírio e lua
nas árias de uma jura infinita...

porém um dia, num vento breve,
me deu um beijo
e roubou de mim todos os sorrisos.
foi-se embora para brasília...

hoje,
se quiser voar,
que use a asa-sul!



2

respeito tua escolha:

saca o vinho
e bebe a rolha.

insensatez
também seduz:

mataste o cristo
em nome da cruz!



3

a indiferença,
nunca o afago,

dedica
ao bem-amado.

inimigo,

põe-te à distancia
do mais querido.

e, sabe sábio:

o melhor beijo
se rouba

do próprio lábio.








Comments:



1

às vezes, tenho terríveis dores de cabeça
por me envolver com tanta literatura: urgh!
indisposições cruéis, que penso não ter cura.

pego o terço, corro à bíblia: ó senhor, livrai-me
de tal frisson!...mas deus não me livra: não raro,
erro o livro sagrado, e abro um drummond.



2

eu sempre fui assim mesmo:
byroniano

entra ano, sai ano
eis-me aqui:

mais um amor frustrado
e outro desengano.


3

o meu pacto
com a literatura,

era festejar você
em cada figura.

- pede desculpas
este poema.










Comments:

1

eu só não sabia
que havia
um outro coringa
no baralho.
- caralho!

você pegou o morto
e bateu de fato.
resto eu agora,
perdido,
neste buraco.



2

esquece tudo o que eu disse
frases, juras, promessas.
: foi!... era tudo sandice!

esquece meu endereço,
a data daquele ingresso
e todo gozo do meu beiço.

esquece.esquece.esquece.

já que este amor moderno
pretere laços e acabamento,
cumprido está o seu papel.

gasta a reza em outro templo,
mesmo deus muda de céu.
iça a vela... salve o vento!

esquece!



3

para lyce

cadê vc no cinema do shopping
ou no alto da colina?
cadê vc naquele dia
q não saimos pra beber?

primA. PrimA!
vê se manda notícias,
pois a vida passa ligeira
e eu fico sem saber...

primA, PrimA
saiba que a memória
é mais ligeira ainda:
não me deixe te esquecer

primA, primA!
só a saudade demora
então vê se não me enrola,
que eu gosto muito docê!










Comments:





1

hoje eu acordei com o medo
e os seus seis mil dedos
me cutucando.

o medo vem em ondas
reverbera serenatas frias
com a caligrafia das bombas.


2

enquanto busco
na palavra
a chave para o poema,
meninas brasileiras
de treze anos
são trocadas
por 100g de ouro
nas ruas de cartagena
- colômbia.


enquanto as leis do tempo
e da gravidade
arranham a tua beleza
pequena,
george bush
e uma renca de discípulos
da maldade
matam e condenam
em nome
de que verdade?


cadê a porra da chave?!

pára o poema.



3

taça cheia
de faz-de-conta


e a política
absolutamente tonta.








Comments:






1

o que você procura
não está em cingapura.
pra você não há ninguém
em jerusalem:
- eu estou aqui!

não adianta se iludir
com os passos de uma balalaica,
ou achar que o amor floresce
sob o sol da jamaica:
- eu estou aqui!

não, não adianta não,
tomar um transatlântico
do japão para cuba
ou querer fazer uma suruba
com a geografia da terra:
o cupido quando mira,
ele não erra!

eu estou aqui:
não sei se poodle ou pit-bull,
só sei que o amor que guardo
está escrito nas estrelas
do cruzeiro do sul.



2

vem,
que eu vou gozar
o gozo mais febril.
eu vou reinventar
a aquarela do brasil
num mapa-múndi
que ninguém
nunca viu.

vem,
que rosas vão se abrir
na palma da minha mão
quando eu roçar
o teu quadril.
ave primavera
em noites de abril...

vem,
refaz as contas
desse estado
de coisas sem beleza.
toca comigo
as luas da generosidade
e suas sedas.

vem,
estende teu estandarte
sobre o corpo meu:
afasta as sombras
de mais um deus
que morreu.



3

que eu te ame,
com a paciência e a destreza
de um velho oriental
a compor seu origami.

que eu te ame,
pacífico e pleno
como o caminhar de
um índio ianomâmi.

que eu te ame,
como poeta-homem:
que mais prefere ser pessoa
do que sobrenome.

que eu te ame!












Comments:



1

cego, afago os perfumes do tempo.
na ferrugem dos lírios, o amor desacontece.
há uma canção fria e morta sonhando a tua face:
recolhe noite em meus versos.


2

dorme a casa
dorme a crase
dorme a asa da borboleta.

numa metamorfose
tão exata
dorme a letra ilegível.

dorme a arroba e a rota,
o doze e a dúzia,
dorme o artigo indefinido.

dorme a água do aquário,
dorme o vaso sanitário,
e o vocabulário indizível.

dorme o fóssil, pra lá de antigo,
o agora
e o minuto além.

dorme aquiles, o mito,
e aqueles que muitos
chamam ninguém.

dorme alice e o lustre,
a tinta e a paleta
neste verso dormidouro.

dorme o infinito sem conceito -
um dormir tão perfeito
que parece até poesia!

dorme a canção,
dorme a liturgia
dorme a cor e a alegoria.

dorme aquela velha alegria
que triste se apega
e do paradoxo não larga.

dorme tudo:
desde o raso até o fundo.
como um defunto.

dorme o lodo na calçada,
a vaca atolada,
o outro lado da rua...

dorme a flor dilacerada
e mesmo o medo
dorme tranquilo.

dorme isto, essa e aquilo:
toda grama e
centímetro

a libra,
o zêlo
e o gemido desmedido.

dorme o esquilo
na paisagem americana e
a lua no céu de araraquara.

dorme o vento,
o assentamento
e a arara

o sono dos justos,
dormem marte e
o deserto do saara.

apenas eu insisto
diuturnamente
acordado

visto ser
impossível dormir
sem você ao meu lado.



3

queria que estivesses
pensando em mim
sonhando comigo
ou sentindo minha falta

mas estás tão distante
que nem um grito grande
nem minha voz mais alta
te atinge

segue então esta minha
mágoa
despetalando lágrimas
em tímpanos de esfinge.








Comments:



1

nessa areia
branca
onde traço algum
adianta



onde tudo
que se escreve
tão breve
apaga o vento



nessa
areia branca
encontre eu
o meu assento.



2

tempo,

em minha lápide
escreve a lápis.

a poesia,
devolve aos miosótis.



3

ávida
ave
em
queda
livre:



a
vida
que
se
vive.







Comments:




1

era o fim
do fio da linha.
era enfim,
o mais dolorido
espinho
ungido pelas mãos
de um anjo ruim:

- a vida sozinha
outra vez.

era a amargura
do inverno,
e seus indeléveis
reveses,
arranhando luz, olhos
e tez.

salmoura de desertos
sobre tão ternos afetos.
(o inverso de deus
em uma lua doente).

era a madrugada
desabençoando,
de todo,
o eterno agosto.

e o vento maldito
da saudade
semeando sombras
em meu dorso.



2

não há ninguém no jardim
não há luar, nem jasmins:
jardins não há também.

sumiram todos os ventos (e ventres),
e os rabiscos da vida, e a taça do vinho.
não há caminho:

- tu, por onde vens?!


dardos cegam o peloponeso
dardos rumo a mim mesmo.
enquanto a figueira balança, última,
a esmo.

foi no limiar
de um beijo
que deus ceifou
cada endereço.


- não nos reconheço nas fotos
eramos felizes, ou mortos?



3


a cabeça dói
a cabeça
acabe














Comments:




1

guaxinins afoitos

assistem
aos nossos

coitos.


e pedem
bis-

coitos.



2

em tua direção
marcha o prazer

em teus flancos
mora minha libido

mas morro
de ciúmes

se me trais
com teu marido.



3

ainda que peças
não barganho
promessas
em outdoor.



cartas de amor,
só envio
aos cuidados
de godot.







Comments:






1

me encanta
afagar o nada pensando em ti
e depois sorrir que nem metáfora.

me encanta o mantra breve do teu beijo
no tintilar do radinho, no tique redemoinho
do ventilador quase sem ar...


me encanta reinventar
a invenção da tua presença
numa sempre mesma esperança.



2


a saudade será, a todo tempo, a esgrima
que sombreia deste calendário avesso:

perdi o número do teu telefone
e deus esqueceu meu endereço.



3

nós dois
on-line

nós dois:
os mais!

indo
ou vindo

...
ouvindo

violinos de
berstein.


nós, dos
e-mails

com davis'
miles

on
mind...


nós, dos
bons-sais,

boçais
e tais

as time
goes bye.









Comments:




1

havia um teto
um intento
e um tanto de telhas de loiça
que partiram com o vento

havia um lápis e uma criança
na varanda:
o anjo morto quase
balança a asa,
acende a lâmpada
de aladim.

houvera, também, milhões de mim
ali, além
do tudo que passa:
vem, marcos, miremos o mundo
cheio de graça!

..................................
de repente,
o imaginário ficou mudo.
do nada, a via que havia
foi interditada.

de repente,
o céu deixou de ser estrada:
cala o rouxinol,
nasce a lua quadrada.



2

e eu aqui,
jeca-tatu-peba
à espera do diabo
que me carrega.

e eu aqui, tadim di mim,
sina pra lá de besta
fincado em vida seca:
- sempre assim...

meia-sombra, barriga d'água
meio-dia, meio-do-nada...
(um azulão cortou o céu
e eu aqui: tadim di mim!).

tronco véi de anjico
lá em cima daquele morro
que o vento aflito verga
e quais-quebra no grito.

há muito,
(ou será só minuto?)
a chama da mesma estrada
no vinco de cada sulco.

e eu ali, tadim di mim,
...........................
apenas o vento
que o grito quebra...



3

a poesia


que busca é essa,

tão ineficaz à paz e
tão disposta à cruz?

que, ama o poder da voz e
amarga quando o verbo diz?

busca difusa;
aprendiz do viés.

bailarina enfurecida
pisoteando os próprios pés.










Comments:




1

no olimpo
disfarçado de deus

até mesmo
zeus

toma-me
por um dos seus.



2

ao meu olhar
impreciso

é o lago
quem se levanta

pra beijar
narciso.



3

Soneto



So
le
tro
Di

as
E
Anal
fa

be
to
Os

De
le
to.








Comments:





1

eu te desejo
tão de repente
sorriso largo
do chafariz
bem que se quis
ne me quitte pas
yesterday
seja cá-já
pode vir quente
que eu estou.

eu te desejo
numero um
milhões de vezes
na s-3
são dez prás 10
eu aos seus pés
você em mim
uuuuuuuuu...
que 10!

eu te desejo
quase sem fim
amor assim
verás jamais
no telecine
ou em outros
canais.

eu te desejo
em qualquer luar
chão de tesouras
e aricá
em mil alqueires
de bem-me-queres
são dois prá lá
e nóis pra cá

eu te desejo
sem ordem
e sem lugar
sem rir
e sem falar
com uma mão
com a outra
bate palmas
pirueta
trás-pra-frente
eu te desejo
presente.



2

em tudo que vejo,
te vejo.
na muriçoca zuando
sobre o azulejo da copa,
no lampejo da lua
e sua magia ignota.

estarás até quando
no beijo da novela,
na ponta do novelo
de lã amarela,
ou no cotovelo da bela
adormecida?

em tudo que olho
te colho a esmo
(sem rasura
e sem saída):

na decida
da ledeira do pelourinho,
na pedra no meio
do caminho
e até mesmo
naquela epístola
do auto da compadecida.

como um quixote
que pretere a sorte
de ver no moinho
somente o moinho,
em tudo que vejo
vejo de ti
um pouquinho.



3

a toda hora
a todo instante

onde quer
que eu esteja,

nos correios, em transe
ou na roda-gigante

me vem de repente
o seu semblante.

entre um pensamento
e outro,

como uma onda
do havaí

erguendo-se
no meu mar-morto.

a toda hora,
a todo instante

onde quer
que eu esteja:

em alfa-centauro, no horto
ou na igreja

você é tudo
que a minha alma deseja.

no bar dos artistas
na praia dos ingleses

na rua da lama
ou no alto da glória

eis você:
o sal da memória.

a toda hora
a todo instante

você pra sempre
rimã do meu sempre.

até mesmo no
espelho,

entre a escova
e a pasta de dente.









Comments:



1

eu,
o preto e branco
no cinema

você,
a tecnologia
da vida é bela.

eu,
ruídos de rádio
sem antena

você,
gisele bündchen
na passarela

eu:
pessoa, rosa
e bandeira

você:
paulo coelho
na prateleira.


e a lua alinha
a noite.
- tudo besteira!



2

eu,
o retrato
de dorian gray

você,
a peruca
da doris day

eu,
o fio
do bigode

você,
carla perez
no pagode

comigo- nin
guém-po
de

contigo
é nome
de revista...


e a lua
alinha
a noite...



3

eu,
coqueiro
de itapuã

você,
fla-flu
no maracanâ.

eu,
a culpa
do judeu

você,
o pecado
nem nasceu


e a lua
alinha...



4

eu
não vivo
sem você

você,
vitamina c
e cama

eu,
este poema
sem fim.

você
longe
de mim.

e a lua...

- cadê
a lua?!










Comments:


1

eu não tenho hora certa
eu não tenho vida certa
eu não vim jantar com você

eu no fundo
sou um vagabundo
oriundo de lugar nenhum

fui ungido por um abc
que fugiu ontem às 7
da ala principal do zoo

amanhã, peut-être,
esta mesma poesia
me desentregue azul

não, eu não sei de nada:
sim-salabim
pindamonhangaba,

iabadabadoooo....





2

cansei! tô de saco cheio.
sai pra lá
levando cela, estribo e arreio:
não nasci pro cabresto!

deixe-me pastar quieto. sozinho.
a mim me bastam
o capim azedo das horas

e suas afiadas esporas.



3

já não tem mais importância
se você está perto




a um metro
















ou kilômetros de distância...








Comments:
Sábado, Abril 05, 2008



1

colhi a lua
e a luz da lua
na flor
que me deste.

plantei um poema
onde havia a lua,
e a luz da lua,
pelo o amor que persiste.

mas tu foste
embora,
deixando a metáfora
no escuro.

hoje, a flor
morre triste

e o poema
anoitece incompleto.



2

singra,

raio-
de-
sol

na
tre-
liça.


alheia,
em
um

trono
de
louça,


a poesia espreguiça.



3

dentro de mim
o vazio inventa.







Comments:





1

pensei que fosse oceano;
era só um aquário.

pensei que fosse paris;
eram os 20 watts de uma lâmpada
no canto de um cenário.

pensei que fosse mozart;
eram os acordes imperfeitos
de um jingle ordinário.

pensei que fosse o pecado maior;
era o mea-culpa
de um réu-primário...

pensei que fosse você,
mas era apenas o sol.




2

canção de exílio -

para ledusha


vontade
de você
no posto nove
papo pro ar
lendo o sol
e jornal
do brasil

vontade de chupar
chica-bom com
beijo
papo-de-anjo
ao som
do gilberto gil

um trotoir
pela ciclovia
da poesia
enquanto a tarde
(na clandestinidade)
nocauteia
o dia.

vontade
do sotaque
carioquês
frango xadrez-
chinês
na praça da paz
(andar pela praia
até o leblom)


vontade
de te tocar mais
e mar...

e outra vez.


o carnaval passou,
a vida só cantou
o samba que a saudade fez



3

às vezes você some
e fico eu só
fazendo serenata pro trombone.

por que você não pega o telefone e me liga?
por que não me escreve,
ou berra o meu nome?!

- me dá um grito! -

às vezes você some
e eu fico só, neste ímpeto
de querer rumar a cabeça num paralelepípedo.

amor não tem que ser suicídio,
dá meia-volta e volta.
volta ao início.

quando você desaparece,
até o travesseiro
vira precipício.








Comments:
Sexta-feira, Abril 04, 2008






1

a lua que tão alto voa
apaga a rua do ouvidor
apaga a praça da liberdade
e apaga, toda, o meu amor

a lua que apaga a lua
sequer lhe sabe o nome
vibra inteira e obscura
entre as facas do ventilador.



2

se eu penso em você ao meio-dia
um segundo depois são onze e vinte da noite.
tudo escurece: o mote, o norte, os montes e a luz do poste.
morre o vaga-lume, some o horizonte.

quando penso em você, independentemente
da hora, o relógio agoniza, a lua suicida e a poesia adoece.
apenas a tristeza roça além do que não pode.......................
quando penso em você.

quando penso em você,
a literatura se fode e, quase, vira zero:
zero vírgula, este verso que não morde.



3

eu não quero nada
além deste verso sem sentido

eu, que queria o mundo
se vc viesse comigo.

abracadabra
abre o escuro








Comments:



1

por onde andará bete?

estará em nova iorque
tomando remédios para insônia?

ou seguindo os passos de darwin
pelas geleiras da patagônia?

bete nunca mais ligou.
por onde andará?

bete está rasgando um ecstasy
pelos becos da cidade de goiás.

bete está no caminho de santiago
atrás de um anjo qualquer
que fugiu dos meus quintais.

bete nunca mais ligou.
bete nunca...

por onde andará bete?
além de aqui,
nos corredores desta solidão que me rói?

bete está no rio,
mais precisamente no recreio dos bandeirantes,
ouvindo um rock do hanói hanói.

bete nunca mais ligou.
bete nunca mais.

por onde andará bete?

estará numa sala de bate-papo,
comendo alguém via internet?

ou lavando o chão de uma kitinete
no centro de berlim?

bete, bete, bete...

enquanto me embriago desta saudade diet
e fico a compor versos assim...




2

talvez em janeiro
eu ganhe muito dinheiro

e em fevereiro
tenha gasto ele inteiro.

talvez em março
eu roube um barco

e aporte em abril
na puta que o pariu...

talvez em maio
eu saia de soslaio

e traga em junho
uma arma em punho.

talvez em julho
eu te jure de morte

e em agosto
fique ao gosto da sorte.

talvez em setembro
eu diga que nem me lembro

e em outubro
te redescubro.

talvez em novembro
peça eu ao tempo

que ressuscite
o nosso eterno dezembro...



talvez janeiro
seja dezembro o ano inteiro...




3

se te convido aos beijos mais lambidos
aos mais ardentes amassos,
tu me recitas marcos.

se falo das loucuras da vida
em nome de uma poderosa paixão,
tu arregalas os olhos, e me vens com joão.

se fomento arranha-céus de frases bonitas,
dizendo que findaram as tuas buscas,
tu ris, e me calas com lucas.

se proponho dar açúcar
aos mais estranhos sonhos teus,
tu me brindas com um versículo de mateus.


vou parar ra-pi-di-nho com isto.
pois vá que eu abra os braços
e tu me pegues para... cristo!!







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1

resto eu agora, vazio de prumo e de colo
descolorindo lençóis no underground

eu estou na u.t.i. com a cabeça a prêmio
e cada vez que você vem me visitar, baby!,

é para desligar o balão de oxigênio.



2

nada além da meia-noite demorada. aquela que chegou de mala e cuia na minha vida,
sem pedir licença.
a meia-noite de sempre. que já é amiga de infância, namorada e confidente fiel.
presente eterno.
olá, meia-noite!, eu digo. e ela retruca: olá por quê? se nem fui embora ...
não sai nem pra dar um espirro. meia-noite sem lua e cheia de birra:

- ora, marcos, eu vim pra morar!



3

morri naquele meio de tarde. alheio ao carnaval que corria.
morri de beijo perdido.
e nunca mais voltei...
passo agora, horas a fio, tecendo grafias em queixumes de vento.
morri sem avisar.
enquanto vestia minha fantasia de rendas em frente ao mar...


a alguém fiquei devendo um lírio branco.
não sei se pago.
amanhã, mais uma vez, em nome de iemanjá,
volto a ser este mesmo dia:
mãos frias de indiferença e sopro breve de andorinha triste.

morri, enquanto morria.













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1

Saudade da nossa cama
saudade da nossa história
saudade da felicidade de quem é amado
e ama

saudade do adesivo fosforescente do pato
grudado na porta branca do nosso quarto.

saudades dos teus beijos, dos teus becos,
dos teus braços
do hábito do teu hálito
e da lua na tua tatuagem...

- meu deus, é saudade pra horizonte e meio!
é saudade pra estribo, barrigueira, rédea, pelego, cabresto e arreio...

(saudade pra burro
saudade sem freio!)

água branda de correnteza e lambari,
saudade parente transparente,
pra lá e praquí...

saudade imensa, dessas que não pára:
ganha praça, cidade, rodoviária e num pensa:
só viaja!

saudade passarinho sem ninho,
saudade borboleta bêbada...
(nunca saudade naja!)

e nem adianta fechar cancela,
ou querer sair da frente.
a saudade que atropela,
sabe sempre onde mora a gente.




2

para estar contigo,
privo-me da luz do dia
abandono o melhor abrigo
- isso não me angustia! -


para estar contigo,
assino contrato, aceito
fazer papel
de mero amigo do peito

remeto às favas,
as claras e puras águas
do ganges que alimentara
nosso grande amor-perfeito

ao zero,
o bolero mais terno
- e a medida desmedida
do eterno -

a zero,
o eco, o cerne e o abdome
desta minha carne
que tanto deseja

sem mágoas,
serei apenas um nome.
conversa fiada,
afiando
afeto que não beija!

( nunca mais,
a língua nua
no céu da tua
tatuagem

nunca mais,
a linguagem
da tua nuca
em minha cara-metade)

quero tanto estar por perto
que a mim pouco importa
se o que mata minha sede
é o deserto.



3

mandacaru floresceu
já é hora do adeus.
afasta os teus olhos
dos olhos meus.

felicidade um dia quer
no outro não quer mais.
sem mandar aviso
o sonho se desfaz.

é preciso matar
e morrer num tiro só.
um dia o amor vibra
no outro vira pó.

mandacaru floresceu
pra dizer aos teus olhos
que eles agora
são de deus.








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1

é assim o meu papo
com a arte dessa terra

ela olha pra mim e diz:
- me erra!




2

quando eu nasci,
não veio anjo nenhum...
- o céu estava em greve! -
o que veio,
foi um diabinho feio
dizendo:
vai, marcos!
escreve, escreve, escreve...




3

por fora,
trago o sabor
da amora;

por dentro,
uma saudade
que devora.

por fora,
comemoro
a vida;

por dentro,
sou veia cava
obstruída.

por fora,
um banquete
sobre a mesa;

por dentro,
essa dinamite
acesa.

morreu o cravo,
sonhando
a margarida.

pelo próprio espinho,
a rosa,
se viu ferida.


por fora,
a poesia move;

por dentro,
o verso suicida.








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inconsoante

e
u

o

a
i




crônica-do-amor-louco

fomos desfeitos
um pelo outro.




lux

meu sonho
teu banho






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1

é desconcertante
ver-te agora
como sol-poente.

tu que foste tão brilhante:
aliança
e dia-amante.



2

enquanto o coração
baba o ovo

a razão
refaz o totem.

se quiser-me
de novo

me procure
ontem.



3

seja amor
ou love

love
ou amor

tome antes
um engov

depois
um anador












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Segunda-feira, Março 31, 2008





1

você disse some
e eu somei.


eu disse some
e você sumiu.




2

nada a declarar.
a não ser que estou cansado e sem escudos.
que depois que você foi embora, os deuses ficaram mudos.
que as borboletas voaram pra outros mundos
e eu fiquei só.
só eu e os meus cadernos,
à mercê dos mais profundos invernos...

nada a declarar:
a não ser que eu estou cansado e sem horizontes.
que depois da sua partida,
os amigos se debandaram aos montes
dizendo o quanto fiquei chato e intragável.
e quando até o automóvel se nega a dar partida,
repito comigo mesmo: coisas da vida... vai passar!
a droga, é que nunca passa.
o foda, é que tudo perdeu a graça.
(vale acrescentar!)

vale acrescentar
que, cada vez que bato à porta da alegria,
ela grita de longe: passa outro dia!
tá tudo muito escuro.
sequer o futuro acredita num claro despertar...
ficamos então combinados:
vou dormir com mais este maço de desagravos
e se por acaso acordar do meio deste pesadelo,
peço desculpas a ele.
viro de lado e digo: coisas da vida, amigo...
pode continuar!




3

você roubou
os meus salvo-condutos,

os meus lábios sujos
e minha ausência de parafusos...

roubou-me inúmeras dúzias
de preciosos 50 minutos.

abraços dementes, idades, idéias
e eus confusos.

você roubou a arquitetura
do meu educandário,

a margarida da praça, a praça,
e o relógio do rosário.

relegou meu abecedário
ao molho,

furou cada um
dos meus quase cem olhos:


- você me deixou!










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Quinta-feira, Março 27, 2008







1

não.
não mais te amo.

não.
não tem mais como.

não!
eu não te como mais.



- morreu de sono
a espera.



2

bilhete


com este segue
um buquê de flores mortas

e as chaves que fecham
todas as portas.

nossas tramas de amor,
bagagem perdida.

não pedirei
reembolso

nem à varig
nem à vida.


a lua que líamos no lago,
o boi bebeu.



3

sem maiores pretextos,
sem virar-me
do avesso,
ja posso ouví-las todas:
fim e começo.
não trazem mais seqüelas
as nossas músicas:
"aquelas".

se paguei pelas saudades
um alto preço,
ou se sofri sedento
por teus rebites,
thats the past:
estamos quites!

do tudo que fomos nós
restam eu e mais eu,
apenas.
esquecido dos breus,
volto a ser a ave plena.
vôo solo
isento de penas.









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Domingo, Março 23, 2008






1


love eu
qu'eu
louv'you!



2


te
es
pe
ro
ed
es
es
pe
ro
no
me
sm
ol
ug
ar:

- estátua aí!



3


se
você
está
por
perto
toda
palavra
todo
objeto
toda
figura
toda
parede
e todo
teto

é excesso!









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Sábado, Março 22, 2008









3 poemas



1


cheers!

quando estás ao meu lado
tudo é mística e alegrias.
esvaem-se os medos
e as ogivas do passado.

nas orlas do caminho
nossos moinhos
são espelhos de poesia.
quando estás ao meu lado,

todas as horas,
até mesmo as mais frias,
são filhas
de um dia iluminado.


***


2

a minha dor acaba aí
onde começa a sua boca

um beijo seu acende o céu
e muda a roupa do destino.

eu sem você,
triste violino

mesmo calado,
desafino.


***


3

te amo música antiga
velha roupa colorida
te amo
bem maior que a vida




eu te amo
paralelepípedo
inconstitucionalíssimamente

te amo igual a tanta gente
que mal sabe que ama
assim tão diferente

oma et ue
ed
sárt
arp
etnerf



de dentro pra fora
te amo e te reamo
de dentro pra frente

te amo ausente
presente
menos aqui e mais adiante

te amo olho no olho
te amo caolho
te amo sem olho


te amo miopia:
lua noiva de dia
(astigmatismo)

te amo budismo,
aula de catecismo
e além do que cismo

te amadoro pra sempre...
ou de repente só agora:
como quem mente.













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